domingo, 3 de abril de 2016

Agridoce

Doce e salgado...
Errado e certo ao mesmo tempo...
Ninguém nos fez ser as pessoas mais certas, ou as mais corretas, mas também ninguém diz que somos as mais erradas.
Ambos sabemos o quão errados somos...mas se fosse tudo assim tão simples e racional, teria o mesmo efeito no crescimento e na essência de cada um? Digo rapidamente que não!

Somos errados e virados do avesso. Sempre fomos desde o primeiro dia. Como a mistura do doce com o salgado...aquela mistura que nem sempre agrada a todos, mas que bem "mexida" e bem ligada, funciona fantasticamente...por ser diferente...
Chama-se agridoce...é o que somos.

Somos o agridoce de toda uma sociedade. Por vezes até mesmo de nós próprios, da nossa consciência. Queremos ser o açúcar do doce e o sal do salgado, e por vezes conseguimos.
Perfeitamente imperfeitos. Exclusivamente únicos em torno do nosso mundo, na medida certa e acertada. 
Não temos a receita certa de como funcionar mais ou melhor. A receita tem sido a nossa capacidade de respeitar e estar. A fórmula de me apaixonar por ti nunca a consegui resolver...mas no final dá e dará sempre um resultado positivo.

Sabemos o quão agridoce tem sido a nossa relação. Sei o quão amargas podem ser as mentiras, as omissões, as desculpas. Sei o quão doce podem ser os momentos, o resultado de um telefone, as escapadelas, o mimo, o abraço...ai o abraço...recordo dois abraços demasiadamente importantes e tocantes...um logo no inicio em que te estava a falar do meu percurso pessoal e depois da minha tia...e tu disseste" tinhas tudo para não seres nada, e acabas por ser uma mulher fantástica"...e deste aquele abraçinho bom...lembro-me tão bem...o outro foi à relativamente pouco tempo, num domingo já escurecido, pelas horas e pelo meu medo...a consulta antes do tratamento era no dia seguinte e tu vieste dar-me um abraço tão mas tão bom e reconfortante...e disseste" sabes, não faz mal chorar..." e mais uma vez senti-me protegida...

Sinto-me tanto de protegida por ti, como desamparada...
Dás-me tanto de proteção como depois me dás tanta ausência...
Agridoce, chamamos nós...presença e ausência. Protecção e desamparo. Ora estás, ora não posso contar contigo...Mas gosto tanto mas tanto de ti.

Partilho contigo tantas coisas. Neste momento, partilho tudo contigo...o bom e o menos bom. Tens sido o meu confidente e sei que isso, para mim, não é saudável, porque quando fores embora a dor vai ser muito maior...mas não consigo...tento sim não te preocupar e não partilhar porque não quero ser um "peso" para ti...ainda que digas "isso é uma não questão"...

Estamos próximos, Muito.
Sentimos a falta. Muito.
Queremos mimar e estar. Muito.
Debates-te entre dois mundos, é mais dificil para ti parece-me. 
Eu debato-me só comigo mesma. 
Ambos numa única questão...o agridoce a que isto tudo nos sabe, e o quanto continuamos e gostamos do sabor. 

Que continuemos a saborear.
Obrigada por tantas e todas as sensações que me provocas ao longo destes quase 3 anos...

(A)caso
03/04/2016






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