terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Medo

...Acreditamos que cada dia é sempre cheio de mini vitórias. Para tentarmos ultrapassar da melhor forma aquilo que a vida nos dá, ou retira...Mini vitórias que nos fazem acreditar que é possível vivermos sem aquilo que pensamos que nos faz bem...E sim, a verdade é que faz-nos bem, ou fez-nos bem em determinado momento da nossa vida...
Quando não olhamos repetidamente para o visor do telefone, é uma mini vitória. Quando não olhamos para o calendário a tentar perceber quais serão as rotinas semanais.Quando vamos a conduzir e não se olha para as matriculas dos carros que passam por nós. Quando adormecemos sem reler uma mensagem antiga ou ter um pensamento duma conversa ou de um momento...
Mini vitórias que nos fazem acreditar que estamos no caminho certo...mas...e tudo tem sempre um "mas"...a saudade vem quando mentalmente seguimos a trajetória da realidade. A dor aumenta quando percebo que ainda continuo aqui, no mesmo ponto, como mesmo pensamento. Em ti e em tudo aquilo que me fizeste viver.

Neste momento sei que o tempo é o nosso maior inimigo. Sei que pretendes afastar-te mas também não queres desligar por completo...Não sei se por respeito a mim, ou simplesmente porque não queres mesmo...sinceramente também não pretendo entender isso. Sei que a realidade, a nossa realidade não existe. Ou melhor, ela existe e foi escolhida. Por ti. Disseste que não podias continuar a estar comigo. Essa é a realidade. Que eu aceitei. Que não quis acreditar. Mas que existe, na verdade.

Deixou de haver a cumplicidade que tanto me fazia brilhar. Deixou de haver desabafos privados e íntimos sobre tantas coisas.Deixou de existir a partilha não só duma cama , mas de piropos , de sorrisos, de troca de galhardetes, quer por telefone ou por mensagem. Perderam-se já tantas coisas que nem dá para acreditar e quando olho para o hoje, acho que preferia ter colocado um ponto final naquele dia que me ligaste, em Outubro. Por mais que me doa pensar isso.
...Estamos a perder o elo forte que pensava que tínhamos,na minha opinião. Estamos a abdicar daquilo que sempre nos ligou para nos tornarmos banais nas conversas, problemáticos por vezes, tristonhos...porque na verdade não há mimo a dar, não há mais elogios a dizer, não há questões a colocar...porque simplesmente nós já não existimos. 

Existimos no corpo um do outro. Existimos no pensamento. Existimos no respeito. 
Mas não existimos na dedicação.Não existimos no dia a dia só porque sim. Não existimos na parceria e na adrenalina. 
Existimos no risco. No medo. Na tristeza. Na saudade.Na perda. Na desilusão de ter terminado. Existimos somente porque ainda nenhum de nós teve a coragem de "reformular" a situação do "chegou ao fim".
A verdade é que eu não quero que esse dia chegue, mas sei que vou precisar de o fazer. A verdade é que existem com toda a certeza alguns homens capazes e a querer fazer-me feliz. Sim, acredito nisso. Sou uma pessoa forte e com qualidades merecedoras de tal felicidade. Da partilha e dedicação de ambas as partes.

Mas a verdade é que és tu . É em ti que penso quando quero ser dedicada e preocupada. É por ti que chamo quando preciso de desabafar. És tu por quem o meu coração fica aflito e magoado, ou alegre e impaciente. És tu que foste o tudo, no nada que eu tinha. És tu que foste a minha fonte de crescimento e amadurecimento. És tu a pessoa por quem o coração se manifesta. E ele não se manifesta assim muito facilmente, esteve muito tempo bloqueado e fechado. Desconhecia o caminho pelo qual andou nestes últimos quase 3 anos...
E o medo de perder é tanto. E já existe. Já te considero uma perda. Quando falo contigo...Abro a boca para contar isto e aquilo mas depois opto pelo silêncio...Quando desejo escrever uma mensagem de bom dia e começo...mas depois acabo por apagá-la e mantém-se o silêncio que se arrasta à dias...o silêncio, que tem tanto de amigo como de inimigo...O silêncio quando ambas as partes se complementam e o silêncio quando uma das partes não quer magoar....
Acho que não consigo expressar muito bem por palavras e pode até tornar-se algo confuso, mas cá dentro a percepção desse silêncio arrasa, rasga, dói...faz chorar quando desligas a chamada ou quando olhas nos olhos e vês aquilo que não queres...

Sem te tirar toda a sensatez que sabes e entendes que tiveste e continuas a ter, estupidamente ainda acreditei que poderia ser possível. E tenho vergonha disso mesmo. Vergonha...não é bem esse o termo... Sinto-me desconfortável por ter acreditado que poderia vir a ser possível e sinto-me desconfortável também por perceber que para ti essa hipótese, raramente ou nunca, esteve em cima da mesa...Gostaria que me tivesses dito outra coisa sem ser que eu deveria ter aparecido noutra altura,gostaria que me tivesses dito que tinhas medo por ti, e só por ti. Gostaria que te tivesses apaixonado...mas...e volta sempre o "mas"...se isso acontecesse a história seria a de outras pessoas e não a nossa não é verdade?

O medo insiste e persiste. Isso eu sei. E a vitória será aprender a lidar com ele. 
O medo da tua ausência prolongada. O medo de não ter forma de te contactar.O medo de me cruzar contigo e não se falar.O medo de não estares sozinho. O medo da descoberta de novos momentos na tua vida. 
O medo de não existires mais.
O medo do finito. 

...E o caminho terei de fazê-lo sozinha. 

(A)caso
Janeiro'2016


2 comentários:

  1. Boa noite, noto progressos nessa luta de desapego, parabéns!.. depois de ler teu ultimo “desabafo” decidi deixar te com algumas citações que acho se enquadram no que estas a viver e a sentir.
    “Somos criaturas de uma racionalidade tendenciosa, servimo-nos da razão para que a emoção aconteça”
    “ Os amores acabam sempre sem motivo quando não são amores. Quando são continuam-se. Mesmo que doa.”
    “O segredo para fazermos o que queremos fazer e não conseguimos fazer é, quase sempre, deixarmos de querer fazer aquilo que queremos fazer.”
    Ou seja naturalmente tu irás conseguir, o problema ainda é que não deixas te de querer totalmente, mas sem forçar tu consegues…eu sei. Tu consegues! Tu mereces!
    bjo

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  2. ...a grande verdade é essa mesma...Eu não deixo de querer...porque quando se sente de corpo e alma tudo faz sentido, menos o deixar para trás e avançar no caminho oposto...Bj.

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