...Acabámos de falar ao telefone e preciso urgentemente de colocar os pensamentos (ou alguma coisa deles) por escrito, para ver se o coração deixa de estar tão apertado e a cabeça tão baralhada...
A verdade é que doeu demais...naquele sábado doeu mais do que era habitual, doeu como nunca tinha doido...sei que o facto de termos estado juntos à tarde mexeu comigo sim, da forma que foi...e o facto de à noite deparar-me contigo sem estares só...fiquei sem chão. Se não tivesse ninguém a ver tinha chorado como uma bebe e odeio aperceber-me disso...
Odeio sentir que novamente alguém me faz chorar!! Não consigo lidar com isso e a melhor forma de o atenuar foi o que viste...não uma mulher vulgar, não concordo com isso! Viste sim uma mulher ferida, dorida, a sentir-se amachucada e danada e revoltada e desiludida porque somente quando te vê acompanhado tem a real noção do puzzle em que está metida e que por mais que oiça de ti que gostas e que te preocupas é sempre diferente...sempre!!
E a solução foi essa mesma que observaste...o "estravazar" da revolta...um grito em silêncio manifestado em dança, sorrisos, conversas...tudo para evitar pensar na situação no seu todo. Tudo para evitar fugir e virar costas porque como tu dizes "não fazia sentido"!
Mas sim, o que observaste não era eu...era a miúda rebelde que para não sofrer nem muito mesmo pensar que possa vir a sofrer, esconde-se na sua carapaça...e deixa sobressair uma boa disposição fictícia...
Sim diverti-me, distrai-me do foco que eras tu...tentei abstrair-me no meio de conversas que sinceramente não estava sequer focada em ouvir ou comentar...
Também não gostei de reagir assim, mas também fugir era denunciar o quanto tinha ficado sentida e não queria fazer isso...mas também foi difícil para mim naquele espaço de tempo conseguir lidar com o facto de me sentir tão "tocada"...eu pensava para mim "ignora o óbvio, mantém a tua postura, como sabes e como tens feito sempre, amanhã será outro dia"...mas quando o coração começava a ficar acelerado tinha de me mexer, tinha de percorrer espaço, distrair-me...acho que não entendes a reação e também não me parece que a consiga explicar bem...mas tento, até para me entender melhor.
Aqui à uns tempos disseste-me que estava demasiado agarrada a ti...não quero pensar que isso possa ser possível. No momento não era esse o facto...presentemente quero acreditar e convencer-me de que também não será...Isso não pode acontecer pois tenho a noção de que a dor será ainda mais forte e assim sendo, a reação naquela noite foi somente para fugir destes pensamentos todos...o medo levou-me a estar de maneira diferente...
Será que estou apaixonada? Mas porque raio fico assim tão afetada? Já sei que isto pode sempre acontecer, porque não controlo estas lágrimas que teimam em sair?
Perguntas como estas assustam.Assustam-me.E devem assustar-te a ti quando te aperceberes delas em mim. E não pretendo isso porque sei que a nossa ligação não tem espaço para essas questões. Aliás sempre deixaste bem claro que se me apaixonasse, o mais certo seria o fim à vista...e reafirmo o que te disse na altura, ainda que o sinta em mim, claro que te irei dizer, mesmo sabendo a conclusão. Mas para isso preciso de ter essa certeza dentro de mim.
Naquela noite bastantes dúvidas se levantaram mas não conclui nada. Se estarei ou não apaixonada e se essa noite foi o reflexo disso mesmo? Não sei...mas sei que não vou deixar que se repita. Isso não e aprendemos com os erros sim, e as nossas atitudes servem sempre para melhorarmos a nossa postura.
Pretendo olhar para ti e esboçar um sorriso, independentemente de estares acompanhado ou não. Sei que não o tenho conseguido fazer. Mas vou conseguir.
Porque quero. Porque acho que assim é que tem de ser. Porque assim é que é o correto. Porque tu não tens culpa. Mas eu também não tenho.
Porque não gosto que me vejas assim e porque eu própria não gosto de me sentir assim...
Lamento a situação e lamento mais ainda não ter conseguido sair dela com atitude.Nem parecem coisas minhas.
Mas com toda a certeza não se irá repetir, isso sei.
30/12/2013
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